“Entre 50 segundos e 1min20s”: a Movistar estima quanto tempo Enric pode perder para Roglič no contrarrelógio
Enric Mas enfrentará nesta quinta-feira um dos dias mais importantes de sua carreira esportiva. Os 32,5 quilômetros de contrarrelógio entre El Puerto de Santa María e Jerez de la Frontera aparecem como a grande oportunidade de Primoz Roglic para atacar a liderança, mas na Movistar eles estão há muito tempo preparando uma jornada para a qual até têm uma estimativa de quanto poderia perder seu líder: entre 50 segundos e 1:20 se ambos fizerem um crono em seu máximo nível.
Movistar calcula quanto pode perder Mas com Roglic no crono
Mas chega à etapa 18 com 2:10 sobre Roglic e 2:06 sobre Felix Gall. Uma margem que lhe permite enfrentar a jornada com certa tranquilidade, embora qualquer dia ruim poderia mudar completamente o cenário antes das duas últimas jornadas de montanha.
Iván Velasco, diretor de desempenho da Movistar Team, explicou em uma entrevista concedida à MARCA como a equipe preparou o contrarrelógio e quais são suas previsões para o confronto entre Mas e Roglic.
"Eu falava antes também com Enric. Se Roglic fizer seu crono máximo e Enric fizer seu crono máximo, deveríamos estar entre 50 segundos e 1:20 minutos de perda", explica Velasco.
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Uma estimativa que, se cumprida, permitiria a Mas sair de Jerez ainda vestido de vermelho e com uma margem importante sobre o esloveno.
Mas Velasco também adverte que esses cálculos partem do pressuposto de que os dois sejam capazes de render no nível previsto depois de quase três semanas de corrida.
"Se um tem o dia e o outro não, isso pode ser amplificado. E se Roglic não tiver e Enric sim, essa distância pode ser reduzida, como aconteceu em outros cronos. Mas acreditamos que essa é a margem em que podemos nos mover".
Precisamente Roglic já havia reduzido as expectativas sobre o que pode conseguir nesta jornada. O quatro vezes vencedor da La Vuelta reconheceu que não acredita que o contrarrelógio seja suficiente por si só para colocar a corrida de cabeça para baixo, embora historicamente sempre tenha sido superior a Mas contra o relógio.
"Não gosto de fazer um mundo do crono"
Apesar de tudo que está em jogo, a Movistar não quer tratar a jornada de Jerez como algo excepcional.
"Não gosto de fazer um mundo do que vai acontecer amanhã. É um crono a mais. Nós o preparamos em detalhes como preparamos todos desde há vários anos. Vejo Enric tranquilo, temos nosso plano e vamos ver se dá certo. Depois depende das pernas", assegura Velasco.
O fato de ser disputado na etapa 18 introduz ainda uma variável difícil de calcular. A essas alturas de uma grande volta, os números obtidos durante a preparação nem sempre podem ser reproduzidos na estrada.
"Dependendo de como você chega, esses dados podem ser extraídos ou não. No final, cada um terá planejado o crono com base em seus números e Roglic também terá o dele. Mas tudo dependerá de se você é capaz de extrair o máximo que tem ou está um pouco abaixo".
A Movistar também não prepara nenhuma mudança de última hora. A posição de Mas, o material e a estratégia de esforço estão definidos há tempo.
"Amanhã não se trata de fazer mudanças, mas de confiar no que temos. Está trabalhado há muito tempo e sabemos que estamos bem. Trata-se de fazer o melhor crono que Enric puder".
Anos de trabalho para melhorar um dos pontos fracos de Mas
O contrarrelógio nunca foi a especialidade mais favorável para Mas e a Movistar está há anos trabalhando para reduzir as perdas.
Velasco fala de um trabalho realizado junto às diferentes marcas que equipam a equipe. Gobik participou do desenvolvimento dos tecidos e da roupa de competição, ABUS no capacete e Canyon na bicicleta. A equipe também utiliza guidões específicos para seus corredores e trabalhou continuamente na posição e na aerodinâmica.
"O capacete saiu no ano passado e estamos muito felizes. Com a Canyon continuamos desenvolvendo e no próximo ano teremos uma bicicleta de contrarrelógio nova, muito diferente e otimizada. Também estamos há anos projetando guidões sob medida para os corredores. Tudo evoluiu e acho que estamos em um bom nível em relação à concorrência", explicava Velasco no microfone da MARCA.
O próprio Mas também melhorou sua maneira de enfrentar essas jornadas. Segundo o responsável de desempenho da Movistar, os cronos tradicionalmente representaram um estresse adicional para o mallorquino, mas a primeira etapa desta Vuelta em Mônaco deixou boas sensações.
"Em Mônaco ele fez muito bem. Estava tranquilo e fez com base no plano que havíamos preparado. Esperamos que amanhã saia igual".
Roglic, Küng e uma vitória de etapa muito aberta
A atenção da Movistar estará centrada nas referências de Roglic, mas a luta pela vitória de etapa terá outros protagonistas.
O percurso de 32,5 quilômetros, com longas retas e sem excessivas dificuldades técnicas, favorece os grandes especialistas. Stefan Küng aparece entre os corredores com mais opções de disputar o triunfo e o suíço já sabe o que é ganhar um contrarrelógio na La Vuelta, ele venceu em Madrid em 2024.
Roglic também deve estar entre os mais fortes. Sua prioridade será recuperar o máximo de tempo possível sobre Mas, mas uma atuação em seu melhor nível poderia igualmente colocá-lo na briga pela etapa. Junto a eles aparecem outros especialistas capazes de discutir a vitória, como Ethan Hayter ou Iván Romeo.
Para a Movistar, em qualquer caso, a referência será outra. Os cálculos de Velasco situam a perda assumível entre 50 segundos e 1:20 frente a um Roglic no máximo. Se Mas conseguir se manter dentro desses números, conservará uma parte importante de sua vantagem antes de retornar à montanha.