3000 quilojoules é a nova referência para saber quem se destaca no pelotão

Autoestrada 09/01/26 15:14 Migue A.

Frequentemente, costuma-se tomar como referência os watts por quilo que um ciclista é capaz de gerar em diferentes tipos de esforço. No entanto, o ciclismo é um esporte de resistência e não é a mesma coisa realizar um esforço estando fresco do que na parte final de uma clássica de mais de 200 quilômetros. É aí que entra em jogo a medição do gasto energético e a capacidade do ciclista de continuar gerando grandes picos de potência apesar da fadiga acumulada.

3000 quilojoules é a nova referência para saber quem se destaca no pelotão

Treinar para render na fadiga, a nova abordagem de treinamento

Quando se fala da resistência como qualidade essencial do ciclista, a maioria simplesmente pensa que se trata de ser capaz de percorrer 180, 200 quilômetros a ritmo de competição. No entanto, a maioria dos cicloturistas medianamente treinados é capaz de realizar essas distâncias. Onde está, então, a diferença? Essencialmente, no fato de que o cicloturista, ao final de uma longa e dura marcha, costuma se arrastar, enquanto o profissional, muitas vezes, precisa dar seus melhores números no trecho final dessas maratonianas jornadas, no momento em que a batalha se torna mais intensa e se decide o vencedor.

Para obter uma medição da resistência dos ciclistas, os treinadores utilizam o gasto energético do ciclista, que é medido em quilojoules e calculado com base no gasto calórico do ciclista, levando em conta que nem todas as calorias que consumimos se transformam em energia destinada ao pedal, mas sim que grande parte se perde na forma de calor. Como dado, a eficiência média de um ciclista gira em torno de 22%. Um cálculo que hoje em dia podemos obter de forma simples em nossos ciclocomputadores, calculado com base na potência que o ciclista gera, seu peso, sua frequência cardíaca, etc.

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Um ciclista de elite de primeiro nível deve ter uma queda mínima em seu perfil de potência comparando os números obtidos estando fresco com os mesmos testes realizados em fadiga, após um gasto energético de mais de 3.000 kj, cifra que os treinadores de equipes como Red Bull-BORA-hansgrohe, equipe que mais tem insistido nessa abordagem de treinamento, fixaram como diferenciadora na hora de reconhecer ciclistas de maior nível.

É por isso que, quando as corridas superam os 200 quilômetros, como ocorre nas grandes clássicas, muito poucos são os ciclistas que são capazes de "ter as pernas", ou seja, gerar os watts necessários quando chega a batalha final, já que falamos de provas em que o gasto energético supera amplamente os 5.000 kj.

Portanto, a novidade que isso representa para os treinamentos, além de ratificar a importância que o trabalho de resistência na Zona 2 tem para um ciclista profissional, seria o de trabalhar a intensidade superando essa barreira de 3.000 kj, ou seja, agora os ciclistas precisam fazer seu trabalho de séries e intensidade como um complemento a um rodagem prévia de 3 ou 4 horas, dependendo da intensidade dessa rodagem e das características do ciclista, de forma que se acostume o organismo a gerar watts em condições de fadiga.

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Claro, para um cicloturista, essa margem se reduz sensivelmente, já que, nas intensidades em que eles costumam pedalar, a barreira se situaria em torno de 2.000 kj, 2.500 para os mais treinados. Além disso, testes simples como comparar o resultado de um teste de 20 minutos com o mesmo teste realizado após uma rodagem em que tenham sido consumidos esses 2.000 kj pode ser muito útil para avaliar nossa resistência.

Se a queda de potência entre ambos os testes for inferior a 5%, podemos considerar que nossa capacidade aeróbica é alta. A média estaria entre 5 e 10%, enquanto uma queda de potência entre ambos os testes superior a 10% seria um claro indicativo de que precisamos colocar mais ênfase em nosso trabalho aeróbico, algo que costuma ser um problema para o cicloturista médio devido ao grande volume, ou seja, tempo, que implica realizar rodagens na zona 2.

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