Pogacar arrasa no Tour de Flandres 2026 após romper a corrida, Van der Poel e Evenepoel completam o pódio
O Tour de Flandres 2026 voltou a demonstrar por que é uma das corridas mais imprevisíveis do calendário, com um roteiro que foi sendo escrito a base de tensão, incidentes e movimentos táticos muito antes da resolução final.
Pogacar marca o ritmo, seleciona e sentencia o Tour de Flandres 2026
A jornada começou com o padrão habitual da clássica flamenga, uma fuga numerosa que encontrou margem rapidamente enquanto as equipes dos favoritos optavam por controlar sem assumir riscos prematuros. A fuga foi formada por Silvan Dillier (Alpecin-Premier Tech), Kamil Gradek (Bahrain Victorious), Luke Lamperti (EF Education-EasyPost), Connor Swift (Ineos Grenadiers), Luca Van Boven (Lotto-Intermarché), Dries De Pooter (Jayco-AlUla), Julius van den Berg (Picnic-PostNL), Edoardo Zamperini (Cofidis), Frederik Frison (Pinarello-Q36.5), Eric Antonio Fagúndez e Jambaljamts Sainbayar (Burgos-Burpellet BH), Victor Vercouillie (Flanders-Baloise) e Hartthijs de Vries (Unibet Rose Rockets).
No entanto, esse equilíbrio saltou pelos ares antes do esperado em um ponto completamente alheio ao terreno decisivo. Um passo de nível ativado dividiu o pelotão em dois blocos e alterou por completo a dinâmica da corrida. No grupo da frente estavam nomes-chave como Tadej Pogacar e Remco Evenepoel, enquanto outros aspirantes, entre eles Mathieu van der Poel, ficaram retidos. A intervenção dos comissários, ordenando reduzir o ritmo para permitir a reunificação, evitou que a corrida se rompesse de forma artificial, mas não eliminou a tensão que se gerou a partir desse momento.
A partir daí, a corrida entrou em uma fase muito mais nervosa. A colocação começou a ser crítica em cada setor de pavé, com quedas e problemas mecânicos que foram desgastando gregários importantes e deixando vários líderes cada vez mais expostos. A UAE assumiu boa parte da responsabilidade na frente, endurecendo o ritmo de forma progressiva enquanto outras equipes tentavam se antecipar em cotas intermediárias para evitar chegar em desvantagem ao trecho decisivo.
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A verdadeira seleção começou muito antes do que costuma ser habitual. No encadeamento de muros antes do final, o grupo de favoritos foi tomando forma quase de maneira natural, sem um ataque definitivo, mas com um ritmo que eliminava qualquer opção para os corredores que chegavam ao limite. Pogacar, Van der Poel, Evenepoel e Van Aert acabaram coincidindo na frente após uma fase de corrida em que todos tentaram medir suas forças sem mostrar ainda todas as suas cartas.
Esse equilíbrio durou pouco. Na segunda ascensão ao Oude Kwaremont, Pogacar decidiu mudar o tom da corrida com um movimento que não foi um ataque explosivo, mas uma aceleração sustentada que acabou por romper a resistência de vários rivais. Van der Poel conseguiu se manter na roda dele em um primeiro momento, enquanto Evenepoel começava a mostrar sinais de desgaste após várias tentativas anteriores de fechar buracos. Van Aert, por sua vez, acabou cedendo nos metros finais do muro, ficando fora da luta direta pela vitória.
A corrida entrou então em uma fase muito mais tática. Pogacar e Van der Poel colaboraram na frente, conscientes de que qualquer dúvida poderia abrir a porta para um retorno por trás. Evenepoel tentou reconstruir sua corrida em solitário, chegando a reduzir diferenças em alguns trechos favoráveis, mas cada transição para novos setores de pavé voltava a jogar contra ele. Por trás, o grupo perseguidor acabou se fragmentando, com Van Aert e Pedersen focados já em limitar danos.
A passagem pelo Koppenberg e o encadeamento posterior consolidou definitivamente essa hierarquia. O desgaste acumulado começou a ser determinante e cada relevo na frente marcava diferenças visíveis. A sensação era clara, a corrida ia ser decidida entre os dois homens que haviam dominado toda a primavera.
Outra 'Ronde', por favor
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) 5 de abril de 2026
Pogacar solta Van der Poel na última passagem pelo Kwaremont e quer voltar a ganhar com a camisa arco-íris.#RVV26 pic.twitter.com/AKIb2v4hYF
O desfecho acabou se confirmando nos últimos quilômetros em direção a Oudenaarde, onde Tadej Pogacar não deu opção à reação. Após abrir espaço no trecho decisivo, o esloveno consolidou sua vantagem também no plano, ampliando diferenças até deixar a corrida sentenciada. Mathieu van der Poel, apesar de se esforçar na perseguição, não conseguiu reduzir a distância, enquanto por trás a luta pelas posições de honra ficava fragmentada, com Remco Evenepoel já fora da briga pela vitória e Wout van Aert impondo-se em seu duelo particular com Mads Pedersen.
Com a vitória assegurada, Pogacar pôde até se permitir desfrutar do último quilômetro, levantando os braços em solitário em Oudenaarde para assinar uma vitória incontestável. O atual campeão repetiu exibição e confirmou seu domínio nos muros flamengos, somando assim seu terceiro Tour de Flandres e reforçando sua condição de referência absoluta nas clássicas.
Top 5 – Tour de Flandres 2026
1. Tadej Pogacar (UAE Team Emirates XRG) – 6:20:07
2. Mathieu van der Poel (Alpecin-Premier Tech) – a 34 s
3. Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-Hansgrohe) – a 1:11
4. Wout van Aert (Visma-Lease a Bike) – a 2:04
5. Mads Pedersen (Lidl-Trek) – a 2:48