"Não me colocaria entre os 4 favoritos": Van Aert se coloca na pele de cordeiro antes do Tour de Flandres
Wout van Aert chega ao Tour de Flandres 2026 com um discurso pouco habitual nele. Sem o peso de ser o grande favorito e com um enfoque mais calmo, o belga enfrenta um dos dias mais importantes do calendário a partir de uma posição diferente, mais próximo do perseguidor do que do homem a ser batido.
Van Aert aponta para Pogacar e Van der Poel: “Eles têm aquele ponto extra em relação ao resto”
Na prévia da corrida, o corredor da Visma reconheceu que ainda sente o especial desta semana, embora sua forma de vivê-la tenha mudado com os anos. “É um período estressante, mas também uma das semanas mais bonitas do ano. Para um ciclista belga, é o maior palco em que você pode competir”, explicou, deixando claro que o Tour de Flandres continua ocupando um lugar central em seu calendário.
Seu desempenho recente convida ao otimismo. Nas últimas clássicas, ele se mostrou ofensivo, presente nos momentos-chave, embora sem prêmio final. Em Milão San Remo foi terceiro, em In Flanders Fields se uniu a Van der Poel para realizar uma cavalgada épica e em Dwars door Vlaanderen fez uma autêntica exibição. Mas além do resultado, Van Aert valoriza as sensações. “As últimas corridas foram muito bem. Eu consegui correr de forma agressiva, como quero”, assegurou. Essa forma de competir parece ser agora mais importante do que qualquer referência ao passado. “Muitas vezes cheguei aqui em boa forma. Estou contente com como as pernas respondem agora. Não me comparo com outros anos”.

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Ele também mudou sua mentalidade. Aos 31 anos, reconhece uma evolução que lhe permite gerenciar melhor a pressão. “Talvez eu esteja mais relaxado do que há alguns anos. Aproveito mais o processo. Há coisas que aceito ou valorizo mais. Isso vem com a experiência e a idade”.
E aproveitou para se livrar da pressão dos que o colocam entre os grandes favoritos. O termo que agrupa os principais nomes da largada não lhe convence. “Não me colocaria nesse ‘G4’. Acho que esse conceito é um pouco absurdo”, afirmou. Em sua análise, há dois nomes acima do resto. “As pessoas esquecem rápido. Pogacar esteve muito acima de todos em Strade e San Remo. O fato de ele não ter corrido na semana passada não muda o quão bom ele é”.
Tanto Tadej Pogacar quanto Mathieu van der Poel aparecem, em sua opinião, como os corredores com um ponto extra em relação ao resto do pelotão. A incógnita é o papel que pode desempenhar Remco Evenepoel em sua estreia. Van Aert evita tirar conclusões precipitadas, embora reconheça sua influência potencial. “Com certeza terá impacto em como a corrida se desenvolve. Ele já demonstrou isso muitas vezes”.
Sobre possíveis alianças, prefere não antecipar cenários em uma prova que sempre quebra qualquer previsão. “Claro que espero, mas depende de como a corrida evolui. Há muitos fatores. Em Flandres sempre há caos e acontecem coisas que você não espera. Não faz muito sentido falar agora sobre todos os cenários”.
Com tudo, seu objetivo é claro e simples. “Se eu puder lutar pela vitória e depois sentir que fiz tudo, isso é o que importa”.
Van Aert estará apoiado por um bloco sólido em que se destacam nomes como Christophe Laporte, Edoardo Affini ou Per Strand Hagenes, em uma equipe projetada para sustentá-lo nos momentos decisivos da corrida.
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