Van der Poel confirma seus 90 minutos a 446 watts e antecipa sua estratégia em Roubaix
Mathieu van der Poel chega à Paris-Roubaix 2026 em uma posição difícil. Ele é o ciclista mais dominante da prova, tem as três últimas vitórias, mas chega com a cautela própria de quem perdeu para Pogacar em San Remo e Flandres nas últimas semanas. O neerlandês enfrenta a possibilidade de entrar para a história com uma quarta vitória consecutiva, mas em seu discurso prévio deixou claro que seu foco não gira em torno dos recordes, mas em repetir o padrão competitivo que o levou a dominar o Inferno do Norte nos últimos anos.
Van der Poel se mantém fiel ao seu estilo antes de Roubaix e aponta para outro ataque em solitário
Nas declarações prévias à corrida, Van der Poel diminuiu qualquer obsessão pelos números. “Sou realista o suficiente para saber que não posso manter essa sequência para sempre. Haverá um ano em que não funcionará.” “Estou tentando ganhar e então o recorde virá por si só.”
Essa naturalidade também se reflete em sua maneira de correr. Longe de introduzir mudanças após o que aconteceu em Flandres, onde foi o último a se descolar de Tadej Pogacar, o líder da Alpecin mantém intacto seu plano de ação. “Como sempre, correrei por sensações e verei como a corrida evolui. Em Roubaix pode acontecer qualquer coisa. O importante é estar atento à frente e passar os trechos de paralelepípedo da forma mais segura possível”.
O duelo com Pogacar será novamente um dos grandes eixos da corrida. Van der Poel não o descarta de forma alguma, apesar das particularidades do traçado. “Esta corrida pode ser mais difícil para ele, mas ninguém pode dizer que ele não é capaz de vencê-la. Você precisa de um pouco de sorte, mas ele já provou isso no ano passado”. Uma afirmação que reflete o respeito mútuo entre os dois grandes dominadores dos Monumentos atuais.
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Em termos táticos, também não se esperam reviravoltas. O neerlandês foi criticado por sua maneira de correr em Flandres, onde colaborou em revezamentos com Pogacar quando ambos estavam sozinhos na liderança, e deixou entrever que não haverá mudanças estratégicas. “Fiz o que tinha que fazer. Estava em posição de ganhar, mas não acho que não colaborar teria mudado o resultado ou aumentado minhas chances. Simplesmente fiz o melhor que pude”. Ele foi ainda mais longe ao avaliar o componente ético do ciclismo ofensivo. “Não colaborar também teria sido um pouco antidesportivo. Tadej e eu vamos nos cruzar por anos. É melhor nos darmos bem”.

Se há um cenário ideal para ele, continua sendo o mesmo de sempre. Evitar o sprint e resolver em solitário. Algo que aprendeu da pior maneira em 2021 quando disse aquilo de "o morto era eu". Desde então, seu foco mudou para sempre. “Um ataque em solitário te dá a maior segurança, mas nem sempre é possível. Se você chega a um sprint, é porque fez uma boa corrida, mas se eu puder escolher, prefiro chegar sozinho”.
Ele também deixou sua visão sobre o percurso e um dos pontos-chave do dia, a Floresta de Arenberg. Considera positivo que os setores iniciais possam endurecer a corrida mais cedo. “Quanto menor for o grupo ao chegar a Arenberg, melhor. Continua sendo o trecho mais perigoso”.
Além da tática, um dos temas que cercou sua prévia foi o debate sobre os dados de potência que compartilhou no Strava após a E3 Saxo Classic. Van der Poel não costuma compartilhar esse tipo de informação no Strava, mas desta vez o fez de propósito. O neerlandês conseguiu seu melhor registro em 90 minutos com 446 watts. O que gerou tanto elogios quanto dúvidas. Mas Van der Poel não hesitou em defender a veracidade de seus números. “Esse dado foi analisado e está correto. Se não estivesse, não o teria compartilhado. Era apenas para mostrar o quão difícil foi pedalar sozinho com vento”. E aproveitou para lançar uma mensagem àqueles que o questionaram. “Alguns supostos especialistas tinham uma opinião a mais. Às vezes gosto de compartilhar algo, embora não costumo fazer isso”.
Mesmo nesse contexto, o neerlandês vê o lado positivo. “Para mim, foi bom comprovar que ainda posso melhorar com a minha idade, mesmo tendo que competir contra alguém como Tadej, que pode ser o melhor ciclista da história.”
Com três vitórias consecutivas já em seu currículo recente, Van der Poel chega a Roubaix sem mudar nada do que funcionou para ele. Sem obsessão pelo recorde, sem alterar sua tática e com uma ideia clara. Estar à frente, evitar problemas e, se a corrida permitir, voltar a cruzar sozinho o velódromo.