Bicicletas mais caras e mais elétricas: assim foi 2025 para o setor de bicicletas na Espanha
O setor de bicicletas na Espanha entra em uma fase de maturidade após anos de forte crescimento pós-pandemia. Os dados de 2025 confirmam uma leve correção no volume de negócios, mas também evidenciam uma base sólida que mantém o setor como um dos motores econômicos vinculados ao esporte, ao lazer e à mobilidade.
O setor entra em uma fase de equilíbrio após o ajuste pós-pandemia com mais peso das gamas altas
Segundo o último relatório setorial apresentado pela AMBE junto à Cofidis, a faturação alcançou 2.177 milhões de euros, o que representa uma queda moderada em relação ao ano anterior. No entanto, a queda em unidades vendidas é praticamente testimonial, com pouco mais de um milhão de bicicletas comercializadas e uma redução mínima. Esse comportamento aponta para uma mudança de tendência no consumo, onde o valor médio cresce apesar da estabilização do volume.

O aumento do preço médio até se situar acima de 1.280 euros reflete claramente esse deslocamento para gamas mais altas. Nesse cenário, as bicicletas elétricas continuam ganhando protagonismo e já representam uma parte chave do negócio. Seu peso não é apenas relevante em número de unidades, mas seu impacto na faturação é ainda maior, consolidando-se como o principal impulsionador econômico do setor. No âmbito urbano, sua adoção é ainda mais evidente, com uma clara maioria dentro das bicicletas destinadas à mobilidade diária.
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No que diz respeito às tipologias, o mercado mantém uma estrutura muito definida. O mountain bike continua sendo o pilar principal em termos de valor, enquanto a estrada continua com uma presença muito destacada, impulsionada pelo uso esportivo. Dentro dessa categoria, o gravel continua crescendo e se firmando como uma das tendências mais claras do mercado atual, com uma progressiva diversificação também para versões elétricas. Por trás, a mobilidade urbana e o segmento infantil mantêm um papel mais reduzido, embora estável.

Além das bicicletas completas, o comportamento do mercado de acessórios e componentes confirma o peso do uso recorrente e da manutenção. O vestuário técnico e os óculos se destacam em faturação, enquanto elementos como transmissões, freios ou pneus lideram a rotação, evidenciando uma demanda constante ligada ao uso intensivo da bicicleta.
A rede comercial se mantém praticamente sem mudanças, com um pouco menos de três mil pontos de venda espalhados pelo território. Paralelamente, cresce a importância dos serviços associados, como oficinas ou aluguel, o que reflete uma evolução do negócio para um modelo mais diversificado e menos dependente apenas da venda direta.
O emprego se mantém estável em torno de 25.000 postos de trabalho, o que reforça o papel do setor como gerador de atividade econômica sustentada. A isso se soma o crescente peso da internacionalização, com empresas que já geram uma parte importante de sua faturação fora da Espanha, o que traz estabilidade e capacidade de adaptação diante das mudanças do mercado interno.
Após vários anos marcados por ajustes na cadeia de suprimentos e na demanda, o setor parece avançar para um cenário mais previsível. A moderação na queda de receitas e a estabilidade nas vendas permitem que as empresas planejem a médio prazo com maior segurança. Tudo isso em um contexto em que a bicicleta continua ganhando relevância social, tanto como ferramenta de lazer e esporte quanto em seu papel dentro da mobilidade sustentável.